quinta-feira, 21 de maio de 2009

Autópsia


Merda

Bosta

Cu

Rôla

(Buceta: Xoxota)

terça-feira, 19 de maio de 2009

Atuar

Ser a palavra.
Ser o desejo.
Ser a paisagem.

Ser tudo, sendo nada.

Corpo, copo, passagem.

Stella
... e foram eles, travestidos de desejo. o suor bruto exalava-se num peso sutil e molhado.
a noite cai e sou novamente surpreendido com os fatos. vi-me numa peça que desmorona com o advento de algo anterior a mim- um dominó. o outro. aquele que me corrói os sentidos... o vil cavalheiro de sorriso impuro e olhos pueris. O algoz de minh'alma.
Junto de nós, chegam eles num cumprimento tão hesitante quanto desejoso. ou será ter sido impressão? e dizem...
boa noite! ( como quem desejava dizer... até ( ...) )

:)


elmo

Instalação Fabio Lucca

Parto

Um Parto
Um ato Continuo
A cada passo
A cada caminho
A cada escolha
Eu nasço

A cada momento
Nasce um novo eu
Que assim vê um novo outro

O sangue
A dor
O medo
Para a Vida
Hoje nascemos
E somos irmãos

Dora Odilia

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Instalação Caio

Um Renascer

Um Presente
Um Amigo
Nos Coroa

Imagens
Arroz
Poesias

Abençoa
Com Grande Amor

Recomeçar
Renascer
Você pode morrer a qualquer momento
Como uma fénix

Nas Alturas me levas
Nas alturas estou
Por estes e com estes que me levantam
Por estes e com este que me coroou

dora Odilia

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Madrugada com Bayardo

Estamos adentrando a madrugada com Bayardo San Román.

Miuau...

sexta-feira, 3 de abril de 2009

barreiras! entre guerras, as lagrimas

Corra! São elas...
As maquinas estão vindo,
elas vem nos pegar, vão nos amassar feito papel velho
engula esse choro, não temos tempo para isso
sejamos fortes como nunca fomos para nossa mães
fiquemos parados com nossas mãos desatadas
Seremos serenos para que nos percebam.

É pela dor que sangro,mas é por amor que o entrego a ti
Não é por que sou puta, que não tenho direito a amar
Não é por ser o primeiro que te dou o meu primeiro amor
Se queres cortiço,estas convidado, te dou o meu barraco
sera sempre nosso convidado.

Cai na minha sentimentalidade
fiz um voto de silencio contra meus ideais
Não me contive, quebrei-o
abri meu sorriso para outros sorrisos
não seja timido,
agora todos somos parte do infinito.


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Mariana França.

terça-feira, 24 de março de 2009

Para esta semana (23 a 27/03)

Os compromissos para a semana!!!!


Para terça:
- Quem quiser participar do treinamento físico, chegar as 5 para as 18h, para a apresentação da dança Odissi pelo Thiago.
- As 18h30, primeira aula com o mesmo.

Para quarta:
- Ler o texto "Mitos, Sonhos e Religião", da xerox de Joseph Campbel.

Para quinta:
- Pesquisar: o que é corifeu?
- Levar uma notícia de jornal que possibilite vários pontos de vista diferentes
- A partir da frase "O Ator não incorpora, ele manifesta", de Amir Addad - trazer discussões/ reflexões
- Abrir o olhar no seu cotidiano, observar as "cenas de rua"



Confiram e acrescentem o que for necessário.
Beijos a todos

sexta-feira, 20 de março de 2009

Livros

Caríssimos, abaixo uma lista de livros que a Ana e o Luis indicaram. Bonus final: livros que o ALexandre Matte indicou.

Luis – Interpretação

Estudos Sobre Teatro – Brecht
Crônica de uma morte anunciada – Gabriel Garcia Marquez (não ler ainda)
O Narrador – Walter Benjamin

Literatura Latino-Americana:
Julio Cortázar
Lygia Fagundes Telles


Ana Roxo – Teoria

Aristóteles - A Arte Poética
Anatol Rosenfeld - Teatro Épico
Para trás e para frente - David Mark Ball
Teatro do Oprimido - Augusto Boal
Joseph Campbel – Mitos, sonhos e religião – ler cap. Temas mitológicos na arte...
Introdução Às Grandes Teorias do Teatro/ A Linguagem da Encenação Teatral – Jean-Jacques Roubine


Alexandre Matte

Zé - Marques, Fernando
Retrato de um Artista Quando Jovem - Joyce, James
O Mundo Como Vontade e Representação – Schopenhauer, Arthur
O Mito de Sisifo – Camus, Albert
Vigiar e Punir – Foucault
Sobre o Teatro de Marionetes – Heinrich von Kleist
O Grostesco – Kayser, Wolfgang
Tempestade e Ímpeto – Klinger
Do Grotesco e do Sublime – Victor-Hugo
O Teatro e Seu Duplo – Artaud, Antonin
Filosofia da Linguagem – Mikhail Bakhtin
O Contexto de François Rebelais
Strindberg

Pintura:
Bosch, Bruegel, James Ensor, Eduard Münch.

quinta-feira, 19 de março de 2009

escutatória

EscutatóriaPor Rubem Alves
Sempre vejo anunciados cursos de oratória. Nunca vi anunciado curso de escutatória. Todo mundo quer aprender a falar. Ninguém quer aprender a ouvir.Pensei em oferecer um curso de escutatória. Mas acho que ninguém vai se matricular. Escutar é complicado e sutil.Diz o Alberto Caeiro que "não é bastante não ser cego para ver as árvores e as flores. É preciso também não ter filosofia nenhuma". Filosofia é um monte de idéias, dentro da cabeça, sobre como são as coisas. Aí a gente que não é cego abre os olhos. Diante de nós, fora da cabeça, nos campos e matas, estão as árvores e as flores. Ver é colocar dentro da cabeça aquilo que existe fora. O cego não vê porque as janelas dele estão fechadas. O que está fora não consegue entrar. A gente não é cego. As árvores e as flores entram. Mas - coitadinhas delas - entram e caem num mar de idéias. São misturadas nas palavras da filosofia que mora em nós. Perdem a sua simplicidade de existir. Ficam outras coisas. Então, o que vemos não são as árvores e as flores. Para se ver é preciso que a cabeça esteja vazia. Parafraseio o Alberto Caeiro: "Não é bastante ter ouvidos para se ouvir o que é dito. É preciso também que haja silêncio dentro da alma". Daí a dificuldade: a gente não agüenta ouvir o que o outro diz sem logo dar um palpite melhor, sem misturar o que ele diz com aquilo que a gente tem a dizer. Como se aquilo que ele diz não fosse digno de descansada consideração e precisasse ser complementado por aquilo que a gente tem a dizer, que é muito melhor. No fundo somos todos iguais às duas mulheres do ônibus. Certo estava Lichtenberg - citado por Murilo Mendes: "Há quem não ouça até que lhe cortem as orelhas". Nossa incapacidade de ouvir é a manifestação mais constante e sutil da nossa arrogância e vaidade: no fundo, somos os mais bonitos... Tenho um velho amigo, Jovelino, que se mudou para os Estados Unidos, estimulado pela revolução de 64. Pastor protestante (não "evangélico"), foi trabalhar num programa educacional da Igreja Presbiteriana USA, voltado para minorias. Contou-me de sua experiência com os índios. As reuniões são estranhas. Reunidos os participantes, ninguém fala. Há um longo, longo silêncio. (Os pianistas, antes de iniciar o concerto, diante do piano, ficam assentados em silêncio, como se estivessem orando. Não rezando. Reza é falatório para não ouvir. Orando. Abrindo vazios de silêncio. Expulsando todas as idéias estranhas. Também para se tocar piano é preciso não ter filosofia nenhuma). Todos em silêncio, à espera do pensamento essencial. Aí, de repente, alguém fala. Curto. Todos ouvem. Terminada a fala, novo silêncio. Falar logo em seguida seria um grande desrespeito. Pois o outro falou os seus pensamentos, pensamentos que julgava essenciais. Sendo dele, os pensamentos não são meus. São-me estranhos. Comida que é preciso digerir. Digerir leva tempo. É preciso tempo para entender o que o outro falou. Se falo logo a seguir são duas as possibilidades. Primeira: "Fiquei em silêncio só por delicadeza. Na verdade, não ouvi o que você falou. Enquanto você falava eu pensava nas coisas que eu iria falar quando você terminasse sua (tola) fala. Falo como se você não tivesse falado". Segunda: "Ouvi o que você falou. Mas isso que você falou como novidade eu já pensei há muito tempo. É coisa velha para mim. Tanto que nem preciso pensar sobre o que você falou". Em ambos os casos estou chamando o outro de tolo. O que é pior que uma bofetada. O longo silêncio quer dizer: "Estou ponderando cuidadosamente tudo aquilo que você falou". E assim vai a reunião. Há grupos religiosos cuja liturgia consiste de silêncio. Faz alguns anos passei uma semana num mosteiro na Suíça, Grand Champs. Eu e algumas outras pessoas ali estávamos para, juntos, escrever um livro. Era uma antiga fazenda. Velhas construções, não me esqueço da água no chafariz onde as pombas vinham beber. Havia uma disciplina de silêncio, não total, mas de uma fala mínima. O que me deu enorme prazer às refeições. Não tinha a obrigação de manter uma conversa com meus vizinhos de mesa. Podia comer pensando na comida. Também para comer é preciso não ter filosofia. Não ter obrigação de falar é uma felicidade. Mas logo fui informado de que parte da disciplina do mosteiro era participar da liturgia três vezes por dia: às 7 da manhã, ao meio-dia e às 6 da tarde. Estremeci de medo. Mas obedeci. O lugar sagrado era um velho celeiro, todo de madeira, teto muito alto. Escuro. Haviam aberto buracos na madeira, ali colocando vidros de várias cores. Era uma atmosfera de luz mortiça, iluminado por algumas velas sobre o altar, uma mesa simples com um ícone oriental de Cristo. Uns poucos bancos arranjados em U definiam um amplo espaço vazio, no centro, onde quem quisesse podia se assentar numa almofada, sobre um tapete. Cheguei alguns minutos antes da hora marcada. Era um grande silêncio. Muito frio, nuvens escuras cobriam o céu e corriam, levadas por um vento impetuoso que descia dos Alpes. A força do vento era tanta que o velho celeiro torcia e rangia, como se fosse um navio de madeira num mar agitado. O vento batia nas macieiras nuas do pomar e o barulho era como o de ondas que se quebram. Estranhei. Os suíços são sempre pontuais. A liturgia não começava. E ninguém tomava providências. Todos continuavam do mesmo jeito, sem nada fazer. Ninguém que se levantasse para dizer: Meus irmãos, vamos cantar o hino... Cinco minutos, dez, quinze. Só depois de vinte minutos é que eu, estúpido, percebi que tudo já se iniciara vinte minutos antes. As pessoas estavam lá para se alimentar de silêncio. E eu comecei a me alimentar de silêncio também. Não basta o silêncio de fora. É preciso silêncio dentro. Ausência de pensamentos. E aí, quando se faz o silêncio dentro, a gente começa a ouvir coisas que não ouvia. Eu comecei a ouvir. Fernando Pessoa conhecia a experiência, e se referia a algo que se ouve nos interstícios das palavras, no lugar onde não há palavras. E música, melodia que não havia e que quando ouvida nos faz chorar.A música acontece no silêncio.É preciso que todos os ruídos cessem.No silêncio, abrem-se as portas de um mundo encantado que mora em nós - como no poema de Mallarmé, A catedral submersa, que Debussy musicou. A alma é uma catedral submersa.No fundo do mar - quem faz mergulho sabe - a boca fica fechada. Somos todos olhos e ouvidos. Me veio agora a idéia de que, talvez, essa seja a essência da experiência religiosa - quando ficamos mudos, sem fala. Aí, livres dos ruídos do falatório e dos saberes da filosofia, ouvimos a melodia que não havia, que de tão linda nos faz chorar. Para mim Deus é isto: a beleza que se ouve no silêncio. Daí a importância de saber ouvir os outros: a beleza mora lá também. Comunhão é quando a beleza do outro e a beleza da gente se juntam num contraponto.