quarta-feira, 5 de maio de 2010
http://bloglimitefinal.blogspot.com/
"Nada seria o que é, porque tudo seria o que não é. E sabiamente ao contrário - o que é, não seria. E o que não seria, seria. Você entendeu?" - Alice no País das Maravilhas
medéia é a mãe do tempo
ela vem de fora e jorra gozos de desditas,
sobre as ditas do nosso tempo
grita: tudo é lamento!
penso que tudo signifique, até o que, propositadamente, pense,
em não significar nada ou coisa nenhuma.
isso semantiza o palco no travestismo do comediante.
eu semantizo antes para siginificar agora,
e embora eu caminhe sempre por fora,
o que importa é como eu consigo o de dentro,
a minha sensação é o intento.
é como se o real fosse banal.
não sejamos especialista,
talvez, materialistas, artífices!
separemos cultura e arte,
e que a arte seja, ainda que cruel, nosso retrado fiel.
eu densifico o tempo-espaço e desafio cada segundo,
"provoco a palavra" com a vida do meu corpo-poeta.
sobre as ditas do nosso tempo
grita: tudo é lamento!
penso que tudo signifique, até o que, propositadamente, pense,
em não significar nada ou coisa nenhuma.
isso semantiza o palco no travestismo do comediante.
eu semantizo antes para siginificar agora,
e embora eu caminhe sempre por fora,
o que importa é como eu consigo o de dentro,
a minha sensação é o intento.
é como se o real fosse banal.
não sejamos especialista,
talvez, materialistas, artífices!
separemos cultura e arte,
e que a arte seja, ainda que cruel, nosso retrado fiel.
eu densifico o tempo-espaço e desafio cada segundo,
"provoco a palavra" com a vida do meu corpo-poeta.
o matiz do amarelo
eu aqui que num instante me descabelo
com desvelo no que seja belo
aqui sempre inverno e os sorrisos, amarelos,
ainda tudo é belo.
ele olha o trambolho
que agora é velho,
um sapato no canto e uma foto desbotada de amarelo,
os sorrisos permanecem...
com desvelo no que seja belo
aqui sempre inverno e os sorrisos, amarelos,
ainda tudo é belo.
ele olha o trambolho
que agora é velho,
um sapato no canto e uma foto desbotada de amarelo,
os sorrisos permanecem...
segunda-feira, 3 de maio de 2010
domingo, 25 de abril de 2010
SAUDAÇÃO Á BACO - PARA A FORMAÇÃO 13
SAUDAÇÃO Á BACOTocam os tambores
Soam os berrantes
Cantam os mistérios
Revelam os báquicos segredos
Ó Encantadas Mênades e Bacantes
Entoam os louvores
Sagrados mascarados
Instrumentos da representação
Do filho nascido da cria de Cadmo
Viajante em terras estrangeiras
Senhor das colheitas
Sêmen sagrado ao chão jorrado
Fertilizando as eternas videiras
Onde residem a magia dos seus ritos, ó Baco
Agora vede e ouve a saudação dos seus filhos e iniciados
Atravessando este portal em danças deliram os sátiros
(Aos sons dos berrantes, tambores, maracás ...)
Bákxai, Bákxai, Bákxai, Bakxai, Bákxai, Bakxai
Bákxai, Bákxai, Bákxai, Bakxai, Bákxai, Bakxai
Ió, Ió, Ió, Ió, Ió, Ió
Ió, Ió, Ió, Ió, Ió, Ió
Evoé, Evoé, Evoé, Evoé, Evoé, Evoé
Evoé, Evoé, Evoé, Evoé, Evoé, Evoé
PRESENÇA SAGRADA - PARA A FORMAÇÃO 13

Ó dioniso, sua presença sagrada aqui se manifesta
Cantam suas bacantes, com suas vozes sagradas
Seus mistérios e segredos
É tempo da revelação
Nada é para sempre
Dioniso manifeste-se aqui
O sofrimento não é eterno
É tempo de luz, é tempo de amor
JOVEM FÊNIX - PARA A FORMAÇÃO 13
JOVEM FÊNIXDos raios do astro rei
Eu vi nascer uma fogueira
E dar luz a uma nobre ave
Com penas douradas e reluzentes como ouro
No céu azul seu vôo de liberdade anuncia
Um novo tempo, uma nova era
É hora de morrer e morrendo renascer
A morte é uma passagem e libertação
A vida é um caminho para a construção
O pássaro amarelo foi quem me falou
Quem desta fogueira reviver ouvirá
Os cantos e mistérios
Deste ser de luz
É a jovem Fênix
Raio incandescente
Explosão de estrelas
Asas da criação
Cinzas prateadas
Renascidas no fogo do amor
Da sabedoria e da consagração
Explosão de estrelas
Asas da criação
Cinzas prateadas
Renascidas no fogo do amor
Da sabedoria e da consagração
segunda-feira, 19 de abril de 2010
É hora de morrer e morrendo renascer!
É preciso voltar a escrever! Escrever alivia, escrever desabafa, escrever compartilha, escrever objetiva!
Objetivar a vida é o que todos fazemos, mas viver e reviver o mesmo, é muito difícil. Estou des-cobrindo a ELT novamente.
O ano de 2009 foi muito dolorido, desesperador, frustrante e recheado de desilusões. Não sabia mais se era isso mesmo o que eu queria.
Mas como já dizia a música de Guerche, "quem dessa fogueira, reviver, ouvirá"... E eu estou ouvindo, me ouvindo, ouvindo os outros e ouvindo meu nome nas aulas. Estão atentos a todos.
Nada passará imperceptível esse ano.
Seu corpo. Seu. Suas marcas. Suas manias. Seus modos de se mover no espaço. Suas imagens. Seu coletivo. Seu entendimento de coletivo. Sua escuta. Seu espaço. Seu jogo.
O jogo. O corpo. A fôrma e a forma. O treinamento. A mímica. O Susuki. O Canto e a Música.
Grotowiski, Meierhold, Kantor, Barba, Pico-Vallin, Brook, Brecht...
Muitas novidades e novas crises. Crises que não criticam o como. Crises em como não me cobrar tanto.
Jogar, brincar... Por que não criar um "O" com as pernas abertas com mais cinco colegas, como fizeram meus alunos semana passada?? Pra que levar tudo tão a sério? Por que me cobrar tanto? Por que sou tão exigente?
Ouvir mais. Ouvir a minha voz. Falar menos. Calar-me. Silêncio. Aprender a me comunicar, organizar minha fala, objetivar e expressar o que quero. Uma pesquisa, um estudo. VOU PESQUISAR!
Pesquisa para a vida, pesquisa para a cena!
E viver e viver e viver!
Objetivar a vida é o que todos fazemos, mas viver e reviver o mesmo, é muito difícil. Estou des-cobrindo a ELT novamente.
O ano de 2009 foi muito dolorido, desesperador, frustrante e recheado de desilusões. Não sabia mais se era isso mesmo o que eu queria.
Mas como já dizia a música de Guerche, "quem dessa fogueira, reviver, ouvirá"... E eu estou ouvindo, me ouvindo, ouvindo os outros e ouvindo meu nome nas aulas. Estão atentos a todos.
Nada passará imperceptível esse ano.
Seu corpo. Seu. Suas marcas. Suas manias. Seus modos de se mover no espaço. Suas imagens. Seu coletivo. Seu entendimento de coletivo. Sua escuta. Seu espaço. Seu jogo.
O jogo. O corpo. A fôrma e a forma. O treinamento. A mímica. O Susuki. O Canto e a Música.
Grotowiski, Meierhold, Kantor, Barba, Pico-Vallin, Brook, Brecht...
Muitas novidades e novas crises. Crises que não criticam o como. Crises em como não me cobrar tanto.
Jogar, brincar... Por que não criar um "O" com as pernas abertas com mais cinco colegas, como fizeram meus alunos semana passada?? Pra que levar tudo tão a sério? Por que me cobrar tanto? Por que sou tão exigente?
Ouvir mais. Ouvir a minha voz. Falar menos. Calar-me. Silêncio. Aprender a me comunicar, organizar minha fala, objetivar e expressar o que quero. Uma pesquisa, um estudo. VOU PESQUISAR!
Pesquisa para a vida, pesquisa para a cena!
E viver e viver e viver!
quarta-feira, 31 de março de 2010
Vira Virou (Reflexões sobre o início de 2010).
Voa, voa EL Treze, estamos a chegar.
Estava pensando agora se houvesse outra paralisação na Ex-cola(como diria Antônio Araújo)...
Lembro-me também de quando nos conectados pela última vez e foi deliciosamente divertido, e fomos brutalmente cortados.
Naquela época nosso foco foi desviado, uma quebra épica tipicamente brechtiana dos tempos modernos, justo quando os motores estavam aquecidos para a largada tivemos que fazer uma parada de emergência nos boxes. Imagine isto agora...
Como é bom, agora, estar em trabalho, naquilo que sentimos prazer, mesmo que dolorido(o corpo), como é renovador e necessário, o empenho, a troca de experiências os olhares disponíveis. É sensível nosso crescimento neste momento.
Naquele passado, lembro do trabalho com a minha voz, da articulação, da projeção, como havia melhorado, meu alongamento, disponibilidade física, prontidão, quanto havia aprendido e queria praticar muito mais, potencializar meu instrumento de comunicação, o corpo e a alma. Não deu mais, paralisamos todos, e num retrocesso físico, houve um esfriamento do corpo. Entretanto uma quebra necessária para nos contextualizar da dimensão política no teatro, na cena, na prática, na alma e no corpo(em seu distanciamento).
O trabalho do ator no teatro precisa de um tempo de preparação, maturação e entrega para que as questões propostas pelo coletivo, pelo mundo mítico e pelo atípico se encontrem. Este tempo é o espaço nascedouro do ator, onde este é estimulado pelo encontro das questões que o permeiam, das idéias que propõem infinitas formas, do embate que tudo transforma e do equilíbrio que tudo clareia.
Conexão, ritmo, precisão, tudo em seu lugar, ali esperando coragem, curiosidade e empenho para se manifestar. Tudo é possível.
Mas o que será tudo? O espaço do preparo e da entrega talvez seja o suficiente? O possível pode ser um limite?
Os dias passam nos arredores do meu dia, na tangência dos corredores dessa Escola, mas lá fora o ritmo do sistema corre rápido como as baldeações da Sé. É assim, tudo parado, parado... Rebuliço aqui dentro, eu precisava me apaixonar, me desapegar de coisas e me responsabilizar por querer outras. Talvez me reapaixonar, mas sem ser mesquinho com o passado pois não dá para jogar tudo fora.
Não há dúvidas sobre querer atuar, mas o que fazer se mantendo pasteurizado? A precisão escapa ao tempo, o espaço ideal se dilata, desequilibra e bate o medo de voar.
Refreados, abrimos mão do empenho e da curiosidade, impedindo a manifestação de um jogo espontâneo, constante e exato. Daí a importância do tempo de preparo dessa poção, e desta poção o vôo. Manter as conquistas adquiridas é fundamental para o movimento da ação, mas ficar no passado, se apoiar apenas na experiência efemerida, transforma a água que flui em água parada, bloqueada por muros de concreto, interrompido pelas represas que o homem “sobrenatural” constrói, impedindo que as águas atinjam o outro, outro lugar. Por isso a espontaneidade é conquista do personagem e também do ator, é o fluxo das águas, dos movimentos e sensações.
Recriar um ser espontâneo é tarefa que leva um tempo e é preciso abrir este espaço, conhecê-lo. Ninguém trafega de um personagem vivo para outro completamente diferente, mesmo que distanciado, como num passe de mágica. O autoconhecimento já é tarefa que leva uma vida inteira, e algum tempo pode ser importante para que um personagem de olhar vivo e convicto apareça. Sim, ator e personagem tem suas contradições e não podem se libertar muitas vezes por isso não os julgue.
Paradoxo, contraditório e dialeticamente falando, a busca é justamente essa na vida do ator, treinamento, repetição e empenho, para que algo possa florescer com vida, e essa vida ser a construção do ator e a preparação do personagem (Me permitam esse “infame” trocadilho).
Por isto quero este conjunto trabalhando e ativo. Co-labor-ativo.
Seres humanos nascem e morrem todo dia, nos construímos e desconstruímos constantemente, assumimos formas na vida e essas formas nos constroem enquanto obra de vida, logo se a arte deve estar viva, então nos reconstruímos novamente para chegarmos a uma obra de arte e assim estar sendo vida. O personagem não morre, é eterno, dele vem tudo o que foi efemerido das histórias, dos mitos, dele nos chega a imagem, a memória, os primeiros cantos e ritos.
Ser limitado e flexível no modo e forma de se estar, um personagem é limitado em seu símbolo, porém diversas são as possibilidades de sua forma, como a leitura das figuras de uma carta de Tarô. Suas combinações e significados são muitas, basta querer compreender o que elas dizem e ficar atento as entrelinhas. O que vem das possibilidades desse ser limitado, que pode ser um personagem ou uma carta também são restritas, porém claras e precisas.
Acredita nisso? Para ser ator é preciso acreditar nisso? Não eu diria, mas me parece que faz diferença.
O teatro morto só abre espaço para mortos. A sociedade morta funciona muito bem sem a manifestação do teatro, zumbis sem a memória de símbolos e contra-símbolos que desestruturam os sistemas de dominação social, de opressão e marginalização do seres. Se nos submetermos a esse esquema, assumimos a arte pela esmola, na sua medíocre necessidade de posse sobre as coisas do mundo, esquecendo do essencial equilíbrio para a convivência, para a relação e troca verdadeira entre palco e platéia. Se a escolha for comer artistas como objetos de desejo, ou pela necessidade de ver minha imagem reproduzida numa tela, a responsabilidade desse assassinato é minha!
Então me pergunto: Qual o jogo que aceito jogar?
O que resta é transfigurar a lógica com precisão.
Neste momento profícuo que nós, oh malditos trezianos, vivemos, ressoa ao meu espírito um desejo de provocar, sou provocado a um novo movimento nesta nave incandescente e a paixão surge em meu corpo pedindo mais. Abrir essa porta é como abrir a porta ao outro, e creio que só assim crescemos, como a “serpente de chamas em sua haste se enrosca, aumentando o seu brilho subindo ela segue”. Vira, gira, voa galera!
Malditos!
Se um dia ficarem receosos em se arriscarem em frente aos “mal ditos” pares, com medo de fazer feio, passar vergonha, errar, ou qualquer coisa que não valha a pena, lembrem-se que precisamos exatamente do inverso disso, de coragem, ousadia e desapego, para que esta forma, esta fórmula ou poção possa nascer. Joguemo-nos para voarmos conectados, precisos, aterrados, afinados, rítmicos e leves. Enjoy eu, enjoy nóis.
Imagine se tivéssemos que parar novamente agora...
Estava pensando agora se houvesse outra paralisação na Ex-cola(como diria Antônio Araújo)...
Lembro-me também de quando nos conectados pela última vez e foi deliciosamente divertido, e fomos brutalmente cortados.
Naquela época nosso foco foi desviado, uma quebra épica tipicamente brechtiana dos tempos modernos, justo quando os motores estavam aquecidos para a largada tivemos que fazer uma parada de emergência nos boxes. Imagine isto agora...
Como é bom, agora, estar em trabalho, naquilo que sentimos prazer, mesmo que dolorido(o corpo), como é renovador e necessário, o empenho, a troca de experiências os olhares disponíveis. É sensível nosso crescimento neste momento.
Naquele passado, lembro do trabalho com a minha voz, da articulação, da projeção, como havia melhorado, meu alongamento, disponibilidade física, prontidão, quanto havia aprendido e queria praticar muito mais, potencializar meu instrumento de comunicação, o corpo e a alma. Não deu mais, paralisamos todos, e num retrocesso físico, houve um esfriamento do corpo. Entretanto uma quebra necessária para nos contextualizar da dimensão política no teatro, na cena, na prática, na alma e no corpo(em seu distanciamento).
O trabalho do ator no teatro precisa de um tempo de preparação, maturação e entrega para que as questões propostas pelo coletivo, pelo mundo mítico e pelo atípico se encontrem. Este tempo é o espaço nascedouro do ator, onde este é estimulado pelo encontro das questões que o permeiam, das idéias que propõem infinitas formas, do embate que tudo transforma e do equilíbrio que tudo clareia.
Conexão, ritmo, precisão, tudo em seu lugar, ali esperando coragem, curiosidade e empenho para se manifestar. Tudo é possível.
Mas o que será tudo? O espaço do preparo e da entrega talvez seja o suficiente? O possível pode ser um limite?
Os dias passam nos arredores do meu dia, na tangência dos corredores dessa Escola, mas lá fora o ritmo do sistema corre rápido como as baldeações da Sé. É assim, tudo parado, parado... Rebuliço aqui dentro, eu precisava me apaixonar, me desapegar de coisas e me responsabilizar por querer outras. Talvez me reapaixonar, mas sem ser mesquinho com o passado pois não dá para jogar tudo fora.
Não há dúvidas sobre querer atuar, mas o que fazer se mantendo pasteurizado? A precisão escapa ao tempo, o espaço ideal se dilata, desequilibra e bate o medo de voar.
Refreados, abrimos mão do empenho e da curiosidade, impedindo a manifestação de um jogo espontâneo, constante e exato. Daí a importância do tempo de preparo dessa poção, e desta poção o vôo. Manter as conquistas adquiridas é fundamental para o movimento da ação, mas ficar no passado, se apoiar apenas na experiência efemerida, transforma a água que flui em água parada, bloqueada por muros de concreto, interrompido pelas represas que o homem “sobrenatural” constrói, impedindo que as águas atinjam o outro, outro lugar. Por isso a espontaneidade é conquista do personagem e também do ator, é o fluxo das águas, dos movimentos e sensações.
Recriar um ser espontâneo é tarefa que leva um tempo e é preciso abrir este espaço, conhecê-lo. Ninguém trafega de um personagem vivo para outro completamente diferente, mesmo que distanciado, como num passe de mágica. O autoconhecimento já é tarefa que leva uma vida inteira, e algum tempo pode ser importante para que um personagem de olhar vivo e convicto apareça. Sim, ator e personagem tem suas contradições e não podem se libertar muitas vezes por isso não os julgue.
Paradoxo, contraditório e dialeticamente falando, a busca é justamente essa na vida do ator, treinamento, repetição e empenho, para que algo possa florescer com vida, e essa vida ser a construção do ator e a preparação do personagem (Me permitam esse “infame” trocadilho).
Por isto quero este conjunto trabalhando e ativo. Co-labor-ativo.
Seres humanos nascem e morrem todo dia, nos construímos e desconstruímos constantemente, assumimos formas na vida e essas formas nos constroem enquanto obra de vida, logo se a arte deve estar viva, então nos reconstruímos novamente para chegarmos a uma obra de arte e assim estar sendo vida. O personagem não morre, é eterno, dele vem tudo o que foi efemerido das histórias, dos mitos, dele nos chega a imagem, a memória, os primeiros cantos e ritos.
Ser limitado e flexível no modo e forma de se estar, um personagem é limitado em seu símbolo, porém diversas são as possibilidades de sua forma, como a leitura das figuras de uma carta de Tarô. Suas combinações e significados são muitas, basta querer compreender o que elas dizem e ficar atento as entrelinhas. O que vem das possibilidades desse ser limitado, que pode ser um personagem ou uma carta também são restritas, porém claras e precisas.
Acredita nisso? Para ser ator é preciso acreditar nisso? Não eu diria, mas me parece que faz diferença.
O teatro morto só abre espaço para mortos. A sociedade morta funciona muito bem sem a manifestação do teatro, zumbis sem a memória de símbolos e contra-símbolos que desestruturam os sistemas de dominação social, de opressão e marginalização do seres. Se nos submetermos a esse esquema, assumimos a arte pela esmola, na sua medíocre necessidade de posse sobre as coisas do mundo, esquecendo do essencial equilíbrio para a convivência, para a relação e troca verdadeira entre palco e platéia. Se a escolha for comer artistas como objetos de desejo, ou pela necessidade de ver minha imagem reproduzida numa tela, a responsabilidade desse assassinato é minha!
Então me pergunto: Qual o jogo que aceito jogar?
O que resta é transfigurar a lógica com precisão.
Neste momento profícuo que nós, oh malditos trezianos, vivemos, ressoa ao meu espírito um desejo de provocar, sou provocado a um novo movimento nesta nave incandescente e a paixão surge em meu corpo pedindo mais. Abrir essa porta é como abrir a porta ao outro, e creio que só assim crescemos, como a “serpente de chamas em sua haste se enrosca, aumentando o seu brilho subindo ela segue”. Vira, gira, voa galera!
Malditos!
Se um dia ficarem receosos em se arriscarem em frente aos “mal ditos” pares, com medo de fazer feio, passar vergonha, errar, ou qualquer coisa que não valha a pena, lembrem-se que precisamos exatamente do inverso disso, de coragem, ousadia e desapego, para que esta forma, esta fórmula ou poção possa nascer. Joguemo-nos para voarmos conectados, precisos, aterrados, afinados, rítmicos e leves. Enjoy eu, enjoy nóis.
Imagine se tivéssemos que parar novamente agora...
sábado, 27 de março de 2010
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